Adeus ao Steve Jobs?!*

7 07UTC Outubro 07UTC 2011 Publicar um comentário
O homem que roubou nossa subjetividade.

Depois da conferência do Ricardo Antunes – A nova morfologia do trabalho: infoproletariado, materialidade, imaterialidade e valor – e vendo todas matérias, na tv e internet, sobre como Steve Jobs era competente, um gênio, um amante de seu trabalho, um exemplo de pessoa bem sucedida, não consigo parar de pensar se há alguma relação.

A Apple é o exemplo claro de uma “filosofia” que finge uma parceria entre desenvolvedores e a própria empresa.
Enquanto Jobs pregava sua “filosofia oriental” num discurso de liberdade, os índices de suicídio dentro da Apple, principalmente na China, só aumentavam. Jobs era um gênio, mas autoritário e moralista.

O encanto da Tecnologia de Jobs nunca foi igualmente distribuido. O trabalho voluntário de longas horas para desenvolver aplicativos pra um iPhone, iPad etc, possui um contraste gritante com quem sofre com as formas de coerção e vigilância que aflingem os trabalhadores mais pobres, produzindo na montagem desses dispositivos revertidos para a elite Ocidental; e esses trabalhadores pobres permanecem anônimos ofuscados por tanta genialidade e comprometimento do queridinho do planeta.

Essa “tecnologia da libertação” que impulsionou a Apple só é boa se comparada com a tecnologia escravista da IBM. (1º comercial da Apple – com referências a 1984).
1984 nunca foi tão atual, Jobs. Jason Chen, que teve sua casa invadida a pedido da Apple, que nos lembra da melhor maneira. Se antes era 1984 agora é Revolução dos Bichos.

Uma grande maçã verde que sempre escondeu uma maça podre.

#ThankYouSteve

* Ricardo Antunes – adeus ao trabalho?
André Gorz por Henrique Amorim

Categories: Tecnologia

ODF – Documentos abertos para a inclusão digital

4 04UTC Maio 04UTC 2010 1 comentário

Hoje é quase impossível pensar em um órgão que não utilize de um computador para a criação de uma planilha de custos, um ofício, um projeto de lei e muitos outros documentos. E com a crescente utilização da tecnologia nas iniciativas público e privada, a fim de otimizar esses serviços corriqueiros, torne-se extremamente necessário a padronização do formato utilizado nesses documentos.

Muitos problemas decorrentes da não utilização de um padrão do formato de documentos são bastante conhecidos, a grande maioria se dá pela incompatibilidade de programas. E para que todos possam trocar seus documentos, independente de qualquer programa de computador existente atualmente, vem sendo desenvolvido um formato aberto de documento, mais conhecido como Open Document Format (ODF).

Vantagens do ODF

Por se tratar de um formato aberto, qualquer pessoa ou entidade, e para que os desenvolvedores consigam saber facilmente o que fazer para que seus softwares sejam compatíveis com o padrão, diferente do que acontece em outras suítes, como o Microsoft Office (MS-Office), que apesar de se tratar de um bom produto, tem seu formato fechado, dificultando a vida dos desenvolvedores.

Outra grande vantagem é do desenvolvimento não ficar apenas com uma empresa. Com um número maior de entidades participando no processo de desenvolvimento dos programas compatíveis com ODF o resultado esperado pode ser muito mais satisfatório.

Softwares compatíveis

O software que mais se utiliza do ODF, hoje em dia, é o OpenOffice.org, um software aberto e gratuito, que pode ser livremente instalado quer por utilizadores individuais quer por empresas ou organismos da Administração Pública. Pode também ser livremente copiado e distribuído!!!. A versão brasileira do software OpenOffice.org é o BrOffice.org, atualmente na versão 3.2.0.

Outros softwares que trabalham com ODF: Abiword; StarOffice; Koffice; IBM Lotus Symphony; Microsoft Office 2007 (com ressalvas) e também aplicativos on-line como o Google Docs, ZOHO e Adobe Buzzword.

Colaboradores do ODF no Brasil

O Brasil conta com muitos colaboradores empenhados em divulgador o ODF pelo país, tanto na esfera pública quanto privada.

Vitório Furusho – analista da CELEPAR (Companhia de Informática do Paraná), é membro da ABNT e foi coordenador que criou a norma NBR ISO/IEC 26300 ODF – recentemente recebeu o ODF Alliance Awards, prêmio criado pela ODF Alliance para reconhecer as pessoas e organizações que mais contribuiram para a disseminação do padrão ODF. É um dos grandes ativistas de Software Livre e ODF no país e no mundo.

No dia 1º de maio comemorou-se o aniversário de cinco anos de aprovação do ODF 1.0 pelo OASIS ODF TC, e um belo texto sobre esses cinco anos do ODF pode ser lido no blog de Jomar Silva, engenheiro eletrônico, pós-graduado em gestão de projetos, funcionário da Cobra Tecnologia. Jomar é outro grande colaborador do ODF no país, em 2007 se tornou membro do comitê internacional que desenvolve o ODF. Agora chegou ao cargo de diretor da ODF Alliance América Latina, membro OASIS TC ODF, membro da ABNT e coord. do Grupo de Trabalho ODF na ABNT.

Poder público e Software Livre

Segundo a definição criada pela Free Software Foundation, o Software Livre é qualquer programa de computador que pode ser usado, copiado, estudado e redistribuído sem restrições.

A adoção do ODF pelas administrações pública, e a padronização efetiva, significaria grandes avanços para o Software Livre no país. Seria um alinhamento com a política do Governo Federal pela implementação do Software Livre.

Na França, já é recomendado que todas as publicações de seus documentos públicos devem estar disponíveis em formato ODF de acordo com o relatório do Primeiro Ministro da França, e sugere ainda aos seus parceiros europeus que também o façam, quando da troca de documentos em nível europeu.
Recentemente o Governo do Ceará publicou que a adoção pelo software livre já rendeu uma economia estimada em cerca de R$ 67 milhões em seus 44 mil computadores desktop e 1 mil máquinas que funcionam como servidores. Esse seria o gasto estimado com licenças de uso de sistemas operacionais (R$ 14 milhões) e pacotes de programas de escritório (R$ 53 milhões) comerciais, caso a administração estadual não optasse pela migração de seus sistemas para programas de código aberto, que geralmente são gratuitos.

Para Sérgio Amadeu, sociólogo e um dos precursores dos telecentros na América Latina, o software livre é o ideal para ser utilizado pelas esferas públicas. “O modelo livre é o que dá maior maleabilidade ao poder público. Ao ter o código fonte, o poder público não fica dependente e deixa de gastar com licenças, assim, sobra dinheiro para se investir em capacitação. Quando se investe em capacitação, forma-se mão-de-obra específica e qualificada”!!! explica o sociólogo.

Em 2008, foi feito um levantamento pelo Comitê Técnico de Implementação do Software Livre – CISL. Nesse levantamento foi constato uma economia de R$ 370 milhões após a adoção do software livre pelo governo federal.

Além da estratégia do Governo Federal em alavancar o Software Livre, proposto, pelo deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), o Projeto de Lei 3070/2008, que visa tornar padrão o formato ODF para qualquer documento eletrônico da administração pública. Esse Projeto é o mesmo que foi aprovado no estado do Paraná, PL 15742/2007, ambos de co-autoria de Vitório Furusho, e que foi o pioneiro no Brasil.

O Projeto Paraná Digital já tem 44 mil estações com BrOffice.org, contabilizando 1.2000.000 usuários de ODF.

Protocolo Brasília

O Protocolo Brasília é um documento elaborado, pela Caixa Econômica Federal, com o intuito de firmar compromisso entre organizações para utilização do ODF como padrão para o armazenamento de documentos internos e para a troca de documentos com as demais organizações signatárias do protocolo.

Para permitir que a adoção do ODF se dê de forma organizada, o Protocolo Brasília não exige que a migração seja feita imediatamente. O primeiro compromisso firmado no protocolo é o de divulgar o ODF internamente na organização e promover a utilização de programas de computador compatíveis com o ODF. O segundo compromisso firmado é o de apresentar em 60 dias ao Comitê de Implementação de Software Livre (CISL), do Governo Federal, um planejamento para que sejam alcançadas as seguintesmetas de migração:

• ter os computadores da organização preparados para a manipulação de documentos ODF, basicamente através da instalação de uma suíte de escritórios compatível com o ODF;
• estar preparado para receber documentos no formato ODF;
• utilizar preferencialmente o formato ODF para os documentos que serão disponibilizados à sociedade,
estendendo a liberdade de escolha de suíte de escritórios a toda a sociedade;
• trocar documentos em ODF com as demais organizações signatárias do protocolo;
• utilizar o ODF como formato para os documentos gerados dentro da organização.

Com a finalidade de compartilhar as experiências de sucesso, agilizando e simplificando a migração para ODF, as organizações signatárias do protocolo assumem um terceiro e último compromisso, de compartilhar as soluções que possam acelerar a adoção do ODF.!!!

Renato Racin

Referências:

http://www.softwarelivre.gov.br/artigos/artigo_02

http://www.softwarelivre.gov.br/protocolo-brasilia-1/protocolo-brasilia-1

http://www.broffice.org/sl_e_broo_em_vitoria

http://www.softwarelivre.gov.br/

http://homembit.com

http://softwarelivre.org/furusho

http://www.odfalliance.org/

Download BrOffice.org:

http://www.broffice.org/download

Leitura complementar:

Relatório de 5 anos, publicado na ODF Alliance (em PDF)

Adotando o ODF (OpenDocument Format) como Padrão Aberto de Documentos – Cezar Taurion
Agradeço aos que colaboraram para esse artigo, em espcial Vitório Furusho (@vfurusho) e Jomar Silva (@homembit).

Categories: Política, Tecnologia

Movimento S.O.S Parque Maracá

31 31UTC Março 31UTC 2010 Publicar um comentário
Nesta sexta-feira, dia 02 de Abril, às 9 horas da manhã, haverá um ato público simbólico em defesa do projeto de Roberto Burle Max para o Parque Ecológico Maracá. O evento é de iniciativa do diretório municipal do Partido Verde (PV) e será aberto a toda população interessada, em especial os amantes e usuários do Parque Maracá. O ato terá inicio com uma concentração na Avenida Marginal (ao lado da escola Vicencina), de onde os presentes sairão em caminhada pelo interior do parque até a escultura da artista plástica Tomie Ohtake. Neste local, em respeito a data (Sexta-feira Santa), haverá um momento de oração e reflexão, seguido de esclarecimentos sobre o Plano de Requalificação e Revitalização do Parque Maracá, a partir do projeto de Burle Max, idealizado em 1984, a convite do ex-prefeito Dr. Fábio Talarico, que no mesmo dia completa 23 anos de seu falecimento.
Polêmica I
O anuncio do fechamento de parte do Parque Maracá pela atual administração abriu uma polêmica, pois a medida está em desacordo com o projeto original de Burle Max, que prevê a incorporação ao parque da quadra hoje destinada para feiras e exposições. Isso implicaria na transferência de local para a realização de eventos como a festa do peão, Feag, encontro de motociclistas, etc, o que parece não agradar a administração do prefeito Jose Carlos Augusto. Já o governo do ex-prefeito Sérgio de Mello projetou a construção de um Centro Municipal de Eventos no Acesso João Jorge G. Leal, ao lado do galpão de agronegócios, em área já declarada de utilidade pública pela prefeitura.
Polêmica II
Na Câmara Municipal, a vereadora Cida Armani requereu informações sobre a situação atual do Convênio nº 0258925-21/2008, celebrado pelo governo anterior com o Ministério do Turismo, deixando cerca de R$ 630.000,00 para investimentos no Parque Maracá, justamente na área do Parque Permanente de Feiras e Exposições Dr. Ademir Jovanini Augusto. Cida Armani quer saber se existe interesse da prefeitura na sua execução na forma e objeto previsto ou, havendo alteração, detalhar as mudanças e enviar cópia do novo projeto. Segundo comentários, se necessário, o movimento S.O.S. Parque Maracá está disposto a promover uma Ação Popular visando impedir a alteração do projeto original de Burle Max.
Comentário: Minha única crítica ao movimento é esse ato religioso no meio de um ato político. Bizarro! Me sinto até constrangido de participar. De toda forma, é muito boa a iniciativa. Um grande contraponto ao estado de loucura que esse governo chegou.

kibando

24 24UTC Março 24UTC 2010 Publicar um comentário
Parricídio tucano ou afasia suicida de José Serra

Por Gilberto Felisberto Vasconcellos – http://bit.ly/dbQd2d

O que significa, do ponto de vista político e psicológico, o personagem José Serra no cenário da direita no Brasil e na América Latina?

Foi líder estudantil da UNE, o que não quer dizer talento retórico nem capacidade intelectual; todavia se no passado porventura possuía algum charme persuasivo, atualmente não lhe sobrou nada, e isso está relacionado com a sua progressiva direitização depois do Chile, ou talvez até antes.
Serra em Santiago foi uma espécie de garçom ou mordomo de FHC, a quem deverá o futuro ingresso nas altas rodas banqueiras em São Paulo, tendo apoio da missa católica de Franco Montoro para fazer-se deputado.

Do Chile, José Serra vem carimbado de “marxista”, fazendo marola que estava na trincheira do marxismo, quando na verdade sua quitanda era a Cepal burguesa e desenvolvimentista, sob a direção de Raul Prebish, economista ponta de lança do imperialismo inglês na Argentina, odiado por peronistas, nacionalistas e trotskistas.

Não há contribuição alguma de José Serra à teoria econômica na América Latina. Isso foi dito em 1978 por Ruy Mauro Marini, artigo publicado na Revista de Sociologia Mexicana. José Serra, sem o menor escrúpulo intelectual, censurou o artigo de Ruy Mauro Marini no Cebrap. Neste artigo, aparecia como ele é hoje: um homem que se ufana da burguesia industrial e financeira paulista, um tecnocrata operador do capital monopolista internacional.

Ruy Mauro Marini antecipou o balé financeiro multinacional de José Serra, origem pobre, mas fascinado pelo Banco e pelo poder do dinheiro fazer dinheiro, que não tem nada a ver com o capital produtivo. O PSDB é a expressão de classe da universalização do capital monopolista, isto é, do imperialismo.

Funeral de Allende
A saga mal contada do Chile. Não se conhece nenhum protesto tucano contra a derrubada do presidente Salvador Allende. E esse silêncio, ou essa atitude impassível em relação ao socialismo chileno golpeado pela CIA, é revelador do tipo de “democracia” a que está afeiçoado o PSDB.

José Serra no Chile esteve mais próximo do ‘catolicão’ Eduardo Frei do que do comunista Salvador Allende, ao contrário do que sucedeu com Ruy Mauro Marini, Andre Gunder Frank e Darcy Ribeiro.

Eduardo Frei não só conspirou no golpe de Estado de 1973, como celebrou o regime de Pinochet, o qual contou com o Banco Mundial assessorado por Milton Friedman e os economistas Chicago Boys, que foram admirados e aplaudidos por Roberto Campos, o economista que se esforçou para privatizar a Petrobras e a Vale do Rio Doce.

O modelo econômico de Pinochet foi inspirado na ditadura brasileira de 1964 com os planos de “austeridade” ditados pelo FMI e Banco Mundial, privatizadores com corte de gastos estatais.

O que existe em comum entre Milton Friedman, FHC e José Serra? Estes no poder venderam as empresas estatais para o capital privado e, principalmente, para o capital estrangeiro.

Essa política neoliberal de desnacionalização, que direcionou tanto o regime fascista de Pinochet quanto a social democracia de FHC e Serra, baseia-se em três pilares: exportação, austeridade e superexploração do trabalho.

A Cepal de Raul Prebisch foi a antesala dos Chicago Boys de Milton Friedman, os quais ocuparam altos cargos executivos no regime fascista de Pinochet. A política econômica do general chileno foi de caráter neoliberal e privatizante tanto quanto a da “era vendida” de FHC e Serra. Isso significa que, para além da superficial análise políticóloga baseada na noção de “autoritarismo”, a repressão policial durante a “era vendida” não se fez necessária no Brasil para garantir o domínio neoliberal da burguesia financeiro-monopolista e sua acumulação de capital.

O genocídio econômico neoliberal no Chile estava, segundo Pinochet, justificado por uma “democracia autoritária”.

Panteão caipira
Se a ditadura de 64 seguiu o receituário tecnocrático de Roberto Campos, o repercurtor colonizado de Milton Friedman, o guru gringo de Pinochet, então a política privatizante do general chileno foi, por sua vez, radicalizada pelo príncipe da sociologia no Brasil, que recebeu o justo epíteto de “o rei das privatizações”, disputando esse qualificativo na América Latina com Menem na Argentina e Fujimori no Peru. É por causa desse condicionante econômico do capital monopolista que FHC e Serra nunca derramaram lágrima alguma para Salvador Allende assassinado pelos Chicago Boys, os quais iriam inspirar mais tarde a decisão tucana de privatizar a Vale do Rio Doce e vender as ações da Petrobrás.

FHC e Serra no poder iriam repetir e copiar Albert Hirschman, outro economista anti-marxista que não difere substancialmente de Walt Rostow bancado pela CIA, o assessor de Kennedy e Johnson que mandou jogar bomba nas cabeças dos vietnamitas.

A fúria neoliberal privatizante dos tucanos não foi de inspiração autóctone, ou o resultado de seu convívio com Ulisses Guimarães e Franco Montono, o panteão caipira do largo São Francisco, incluindo o cowboy Orestes Quércia.

Como tudo o que acontece com eles, a diretriz é traçada invariavelmente do exterior e dos centros imperialistas. A compreensão dessa política entreguista do PSDB está em Andre Gunder Frank, sociólogo nascido em Berlim (1929) que deu aula na Universidade de Brasília convidado por Darcy Ribeiro, e que continua até hoje sendo o demônio das ciências sociais.

Gunder Frank, o autor de O Desenvolvimento do Subdesenvolvimento morreu em 2005, deixou uma notável obra teórica e histórica, que é o desmascaramento do neoliberalismo com a ideologia da globalização do capital monopolista.

O detalhe é que além de ter vivido no Chile na época de Salvador Allende, o marxista Gunder Frank, foi aluno de Milton Friedman na Universidade de Chicago na década de 50 e percebeu o caráter reacionário de seu mestre, rompeu com ele e com a Universidade de Chicago, e mais tarde no Chile, denunciou o crime contra o povo latinoamericano perpetuado por aquele figurão que ganhou o prêmio Nobel de economia, por ser o paradigma monetarista do vínculo entre a universidade e o banco, como é também o caso, repetido na periferia, do percurso de FHC e Serra, os quais concentraram o poder econômico e venderam o país, seguindo a terapia do “tratamento de choque”, a expressão de autoria de Milton Friedman, cuja política, como dizia Gunder Frank, aumentou o monopolismo capitalista no mundo, desde quando assessorou Barry Goldwater e orientou as medidas econômicas de Nixon.

Para América Latina exportou a bula, repercutida décadas depois pelos tucanos, sobre a “estabilização da economia”, que não é diferente do modelo de Roberto Campos.

Mercado livre e pau-de-arara
É preciso desconfiar da auto-propagada vocação dos tucanos à democracia. Roberto Campos também se dizia fã da democracia quando serviu à ditadura. Milton Friedman escreveu o livro Capitalismo e Liberdade e contribuiu para o assassinato de 30 mil pessoas no Chile, apelando para os princípios do “mercado livre” e do neoliberalismo. Por isso é preciso perguntar o seguinte: até onde vai o amor de José Serra pela democracia? O fascismo político de Pinochet se valeu do neoliberalismo na economia, o qual será retomado por FHC com eleições, seguindo o que receitava o guru Milton Friedman: o lucro é a essência da democracia. FHC sempre disputou as eleições por cima e em situação favorável, a moeda “real” foi a cédula eleitoral no bolso, dizia Leonel Brizola. Depois se reelegeu na maré das reeleições, o que não acontecerá com José Serra, que é uma espécie de primo pobre da tucanalha, desprovido das fortunas maquiavélicas que foram oferecidas para FHC na Casa Grande.

A dialética Casa Grande e Senzala funciona como um sintoma psicológico de um partido político repleto de egos vaidosos e sem carisma. FHC colocou a graça de seu carisma no dinheiro, na moeda, ficando conhecido como o “príncipe da moeda”.

Herança Vende-Pátria
Hoje, em situação mundial desfavorável provocada pela crise financeira do imperialismo (FHC esteve oito anos agenciando a globalização do capital estrangeiro), o PSDB com José Serra – representando os interesses da burguesia financeira e industrial de São Paulo – se prepara para voltar ao Palácio da Alvorada.

Há porém um problema neste teatro subshakesperiano. É que depois do estrago entreguista de FHC, os tucanos não têm discurso a apresentar, digamos, nenhuma esperança em cima da telenovela, da moeda e da estabilização da economia.
Ainda que não reconheça publicamente, José Serra gostaria de descartar-se da herança de seu progenitor, porque essa herança é um estorvo fatal para ele, impedido de falar que vai retomá-la e tirar-lhe a parte ruim.

Afinal, que “Brasil venceu” com oito anos de FHC? José Serra vive essa contradição em sua trajetória política, pois não poderá negar a paternidade que o gerou, embora esse DNA seja um obstáculo para palmilhar o caminho da Presidência da República.

É difícil para José Serra refutar que a era FHC, com a sua política de privatização internacional e agente da universalização do capital privado, foi um retrocesso nacional, que não fez senão prosperar os bancos e as corporações multinacionais.

Durante a “era vendida” de FHC, o PSDB foi o instrumento político do capital globalizado, que levou adiante as medidas entreguistas de 64, valendo-se do argumento da eficácia, da racionalidade e da competência na administração da vassalagem entreguista.

Baile de Manhattan
Analisado de olho na América Latina, o governo neoliberal de FHC –que José Serra estará compelido a defender agora com todos os constrangimentos – tomou como paradigma e aprofundou o que foi feito na economia pelos Chicago Boys no Chile do general Pinochet.

O neoliberalismo econômico de FHC, Menem e Fujimori começou com as ditaduras da década de 60. A retirada de todas as restrições ao capital estrangeiro, a liberalização dos mercados, a desregulação das empresas privadas, as prescrições sobre os “ajustes estruturais” fizeram parte do pacote macroeconômico chamado “estabilização” aplicado em escala mundial a mando do FMI e do Banco Mundial. Essa foi, na era privatizadora de FHC, a economia portifólio e especulativa, de acordo com o processo de acumulação de capital sob a égide da financeirização.

Quem fez a farra com o Plano Real foi, dentre outros bancos estrangeiros, o Chase Manhattan com os seus superlucros.
São os bancos e as grandes instituições financeiras que irão conceder o prêmio Honoris Causa para FHC, o “gênio das ciências sociais” enfiando (como dizia Leonel Brizola) os barretes em sua cabeça por várias universidades do Primeiro Mundo pelo serviço prestado, sobretudo na Inglaterra de Tony Blair, o afilhado de dona Tatcher e pupilo de Giddens, o comensal assíduo nos ágapes oferecidos por Rupert Murdoch, a patota Barclays Bank e British Airways.

A política econômica neoliberal foi um desastre para a América Latina, empobreceu muita gente e marginalizou amplos setores da população. José Serra irá corrigir os defeitos dessa política imperialista de FHC? É difícil imaginar o discurso do PSDB agora para o que defendeu e executou no poder durante oito anos, tendo sido o principal agente político da universalização do capital monopolista.

Culpa e Insônia
O travesseiro de José Serra está esquentado com a questão: o que dizer na campanha de 2010 acerca da herança daquele que foi o seu progenitor político? Agora, com a crise da financeirização política do capital monopolista, nem a direita da metrópole defende mais a “flexibilização do capitalismo”.

A insônia de José Serra tem razão de ser: cadê o Giddens? Cadê o Blair? Cadê a Tatcher? Cadê o Clinton?

O modelo terceira via-globalização-privatizante-neoliberal fracassou. A alternativa durante a campanha é retornar a Keynes e aos investimentos públicos? Será que isso surtirá algum efeito?

O problema é o peso da herança: FHC foi a transferência do patrimônio público para os interesses privados.

O PSDB não é social nem democrático. Quem faz o programa desse partido é a big finança, e esta não tem nada de democrática; ao contrário, o capitalismo monopolista é contra a democracia.

O interesse imperialista da metrópole é o que determina a concepção do PSDB.

Os gerentes e estamentos anglosaxônicos formularam as políticas da “terceira via” e da privatização, porém isso resultou num desastre completo.

O que foi outrora tido como gênio, Tony Giddens, citado impreterivelmente na bibliografia dos cursos da pós-graduação  em ciências sociais, virou um badameco da burguesia pirata de Londres.

Segundo o sibarita Giddens, acabou a luta de classes entre burguesia e proletariado, o vínculo entre nação opressora e nação oprimida foi dissolvido, dissipou a contradição capitalismo versus socialismo, assim a filantropia das ONGs é o que resolve a penúria; enfim, essa “terceira via” neoliberal privatizadora aumentou o abismo entre pobres e ricos.

O PSDB é um partido político colonizado e mimético, sua formatação origina-se dos centros financeiros do capitalismo, seu internacionalismo, ou melhor, seu cosmopolitismo é burguês, portanto não há abracadabra possível que faça José Serra pousar de nacionalista e defensor das riquezas naturais do país; afinal ele foi o fautor e companheiro de viagem do funeral feagaceano da era Vargas. Então, sem que se reduza a política à psicanálise, é preciso reconhecer que um espectro ronda o arraial tucano: o do parricídio. É a matança (simbólica, claro) do pai FHC pelo filho José Serra, se este quiser se despregar da “era vendida”, pelo menos durante a campanha eleitoral de 2010. Se não for seguido este caminho, não restará outra alternativa senão a afasia que o levará à autoimolação política.

Adiós, Serra.

Gilberto Felisberto Vasconcellos é sociólogo, jornalista e escritor

Categories: Política

Dia internacional da mulher

8 08UTC Março 08UTC 2010 Publicar um comentário

Como comemorar o dia internacional da mulher, se não com uma bela homenagem?

Principalmente quando a homenagem é divina.

[Gn 3:16] “E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor e a tua conceição; com dor terás filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará.”
[Is 3:12] “Os opressores do meu povo são crianças, e mulheres estão à testa do seu governo. Ah! Povo meu! Os que te guiam te enganam e destroem o caminho das tuas veredas.”
[I Co 11:3] “Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo varão, e o varão, a cabeça da mulher; e Deus, a cabeça de Cristo.
[I Co 14:34-36] “As mulheres estejam caladas nas igrejas, porque lhes não é permitido falar; mas estejam sujeitas, como também ordena a lei. E, se querem aprender alguma coisa, interroguem em casa a seus próprios maridos; porque é indecente que as mulheres falem na igreja. Porventura, saiu dentre vós a palavra de Deus? Ou veio ela somente para vós?
[Ef 5:22-24] “Vós, mulheres, sujeitai-vos a vosso marido, como ao Senhor; porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo. De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seu marido.
[Cl 3:18] “Vós, mulheres, estai sujeitas a vosso próprio marido, como convém no Senhor.”
[I Tm 2:11-15] “A mulher aprenda em silêncio, com toda a sujeição. Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão. Salvar-se-á, porém, dando à luz filhos, se permanecer com modéstia na fé, na caridade e na santificação.”
[I Pe 3:1] “Semelhantemente, vós, mulheres, sede sujeitas ao vosso próprio marido, para que também, se algum não obedece à palavra, pelo procedimento de sua mulher seja ganho sem palavra.

;)

nós te amamos, mulher. E deus também…

fonte: http://www.bibliadocetico.net

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Chuvas: a enxurrada de São Paulo a Guaíra

1 01UTC Fevereiro 01UTC 2010 Publicar um comentário

As fortes e constantes chuvas que castigam São Paulo desde o início do ano já resultaram na morte de, pelo menos, 64 pessoas. Os dados foram divulgados pela Defesa Civil do estado.

Mais de 18 mil pessoas foram afetadas pelos temporais, em 134 cidades do estado. E 27 municípios paulistas já se encontram em estado de emergência.

Na capital a situação não é diferente, a cidade enfrenta o janeiro mais chuvosos em oitenta anos e há mais de 50 dias moradores convivem com a invasão das águas em suas residências. Moradores da zona leste são os que mais sofrem com as enchentes. Na região, moradores são obrigados a conviver com a água invadindo as residências. Água que misturada ao lixo e esgoto torna o convívio quase insuportável, além da presença de animais como ratos e cobras que podem transmitir doenças que causam a morte.

O perigo de infecção por doenças transmitidas pela água contaminada é imediato.

Todos os casos suspeitos de leptospirose são de moradores com dor no corpo, febre alta e mal-estar. As primeiras suspeitas provocaram uma corrida em busca de atendimento e acesso a antibióticos para evitar a leptospirose.

Causas das enchentes e possíveis soluções

Fenômeno da natureza somados ao descaso pelo poder público agravam ainda mais uma situação que parece fora de controle.

Segundo o engenheiro Cerqueira Cesar, da escola Politécnica da USP, existem dois tipos de enchentes. A do rio Pinheiros e rio Tietê são de responsabilidade do governador do estado, e há também as de responsabilidade do prefeito, que são as enchentes referentes aos córregos que passam pela cidade.

Soluções apontadas por especialistas mostram que será um processo demorado, e que por muito tempo está sendo adiado, devido aos grandes custos e pouco viés político.

Dentre as soluções destacamos a ampliação das calhas de nossos principais rios; permanente desassoreamento de todos os rios, córregos e drenagens construídas; redução máxima do assoreamento das drenagens naturais e construídas por meio do rigoroso e extensivo combate à erosão do solo nas frentes de expansão metropolitana, assim como evitar o lançamento irregular de lixo urbano e entulho de construção civil.

Dados ainda apontam que era preciso a construção de 134 piscinões para regular a vazão dos rios, porém o governo do estado construiu apenas 43.

Para piorar a atual situação, a gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM) deixou de investir R$ 353 milhões em obras de combate a enchentes na cidade de São Paulo. De 2006 até hoje, a Prefeitura aplicou apenas 68% da verba prevista no orçamento para ações com esse fim, como canalização de córregos, serviços de drenagem e construção de piscinões, porém as despesas com propagandas têm previsão de aumento de 31% em 2010, que ao todo chegará a R$ 105 milhões para a divulgação de obras da capital.

Há poucos dias, na frente de Serra, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs um PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) de combate as enchentes no estado.

Na região

As cidades da nossa região também sofrem com as fortes chuvas de verão. Em Franca, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou 109,02 milímetros de chuva das 9h de terça (26) às 9h desta quarta-feira (27). Há 49 anos não chovia tanto em 24 horas na cidade.

O total acumulado em janeiro no município já chega a 407 milímetros. A média histórica do mês é de 302 milímetros.

Em Ribeirão Preto a situação se agrava, devido ao crescimento desenfreado da cidade que resultou na ocupação de área de várzeas, que do ponto de vista “geohidrográfico” é “parte do rio”, pela população e com o consentimento do poder público.

A situação é agravante no bairro Vila Virgínia em sua parte baixa, considerado uma área de altíssimo risco de enchente.

Para Ribeirão Preto as soluções vão desde a desocupação de áreas de risco de enchente, a criação de micro cisternas domiciliares e o uso de paralelepípedo ou sistemas de calçamento que possibilitem a melhor absorção da água no solo, para combater a impermeabilização do solo.

Em Guaíra

A chuva também não deu trégua em Guaíra. Devido ao grande volume de água que caiu no mês de janeiro a colheita da produção de grãos foi adiada por pelo menos uma semana. A previsão da colheita era por volta do dia vinte de janeiro, porém não comprometendo a produção.

“A colheita estava programada para essa semana [dia 20], mas como choveu muito teve que ser adiada. Ainda temos uma semana para colher, a partir disso podemos ter problemas e a colheita pode ficar comprometida” afirmou o Secretário de Agricultura e Meio Ambiente do município, Martins Oride.

Ainda segundo o secretário, sem dados muito precisos, a chuva do mês de janeiro pode ter chegado ao dobro da média. A produção da cana-de-açucar não sofre nenhum prejuízo, já que está no período de entre-safra.

Se no campo a situação pode se tornar agravante, no perímetro urbano a sensação não é outra. Por vezes nos deparamos com o grande volume de águas escoando por nossas calçadas, e em casos extremos, adentrando em residências e estabelecimentos do nosso comércio.

Apesar da situação de Guaíra ser privilegiada em relação a grandes centros urbanos, a necessidade de um plano para contenção de enchentes e a não ocupação de áreas de risco se faz necessária. Embora não tenhamos áreas de risco visivelmente claras, a cidade tende a crescer e o planejamento para a ocupação das áreas do município deve ser devidamente estudado pelos órgãos competentes, não podendo o poder público se fazer de omisso.

O grande problema da área central aparenta tomar um solução com a construção das galerias da Avenida 5, iniciada na gestão passada e finalizada pela atual gestão. O projeto original que vai desde a ponte até a Rua 24 ainda não foi concluído, mas já é notável o menor fluxo de água na área onde antes era intransitável.

Para que Guaíra possa crescer com a tranquilidade de uma cidade projetada é preciso dar continuidade a obras de contenção de enchentes, já iniciadas em 2005. O revestimento dos canais de escoamento de águas pluviais das avenidas José Cavenaghi e José Flores, a construção do canal de drenagem do bairro Etelvina Santana, a galeria de drenagem no duplicamento da Avenida José Quintino e o melhoramento do sistema de drenagem e escoamento das águas pluviais no acesso 3, já em 2010.

Esperamos que atual gestão, e a próxima que virá, tenha a sensibilidade de dar continuidade a esses projetos para não sofrermos no futuro.

Outro fator importante é o respeito ao meio-ambiente que pode se dar de diversas maneiras, como palestras em escolas, a distribuição de cestos de lixo seletivo dentro e fora das escolas do município, sobretudo em espaços públicos de grande circulação, como o Lago e as Praças. Com a re-educação de nossos hábitos e a contribuição do poder público, Guaíra se tornará um exemplo de respeito ao meio-ambiente.

moradores protestam e queimam móveis que perderam na enchente. P.M. foi chamada para conter a manifestação.

para finalizar, essa bela matéria do Chico Pinheiro em meio a podridão e descaso político nos Jardins dos pobres.

3 – PNDH

18 18UTC Janeiro 18UTC 2010 Publicar um comentário

“Cada pessoa tem uma memória. Cada país tem uma memória. Somos feitos dela. Sem ela, somos amnésicos. A amnésia é uma doença grave. Se o presente é muito difícil de compreender e interpretar, pior será quando nos faltarem os termos de comparação, fundados na nossa experiência e na história. Aqueles homens e mulheres somos nós. Ainda somos aqueles homens e mulheres. O passado ainda está acontecendo.”

Sobre o(a) autor(a):
Formado em Direito pela Universidade de Lisboa, o romancista, dramaturgo e guionista português, Mário de Carvalho, possui uma escrita versátil e aclamada pela crítica.

Comecei com esse texto para exemplificar o que pode vir a ser o terceiro Plano Nacional de Direitos Humanos.

Lembro-me também de uma frase do Boris Fausto, algo do tipo “só saberemos pra onde vamos quando conhecermos nossa história”. E para onde vamos? O que fomos um dia?

Não é fato que devemos conhecer a história de nosso país para não repeti-la? Como que as pessoas lutarão contra um sistema ditatorial se nem ao menos sabem o que é isso?

Sim, os documentos da Ditadura precisam ser revelados, torturadores precisam ser punidos, praças, ruas e avenidas precisam ser renomeadas. Ninguém gostaria de morar na rua que leva o nome de um assassino. Eu não gostaria, você gostaria? Espero que não.

O que mais tem no novo Plano?

De fato, eu não me interessa muito pelo Plano, sempre fui a parte dessa história de Direitos Humanos. Mas algo me chamou atenção, e como um amigo disse:

- Se desagrada a igreja, a mídia e os militares é porque é bom.

A igreja não quer a descriminalização do aborto, não quer que seja proibido o uso de símbolos religiosos em prédios públicos e imaginem só, casamento gay?

A mídia fala em perseguição, falta de liberdade de imprensa, sobre totalitarismo e blá blá blá. Estão é com medo do tal “ranking” que irá fiscalizar as matérias sensacionalistas e os comentários absurdos de “bandido bom é bandido morto”. Estão com medo de perder o direito de exibição (a concessão) de seus programas inúteis. A Folha de São Paulo se borra toda, porque apoiou a ditadura militar, a globo nem se fala. O resto é Maria vai com as outras, e seguem ressonando o que a mídia caquética e decadente fala.

Os militares nem querem saber se ser investigados, e chegam ao cúmulo de dizer que os militantes da esquerda, na época da ditadura, também precisam ser investigados. Claro, os militantes da esquerda estão para assassinos assim como os judeus estão para ser responsáveis pelo Holocausto. Imaginem, sem judeus, homossexuais e negros, não haveria Holocausto. Querem culpar quem lutou pelo direito à vida, quem inocentar quem está com as mãos sujas de sangue.

Imagine você, militante da esquerda, teve amigos torturados na ditadura militar, foi preso, teve que viver na clandestinidade, viu pobres morrendo, viu militares e empresários se enriquecendo cada vez mais, e ainda tem que aceitar o fato de estarem impunes até hoje?

O termo Direitos Humanos ainda é embutido de um preconceito muito grande. A frase célebre pra isso é de que os Direitos Humanos só servem pra bandidos. “mas e o policial que foi morto por traficantes, cadê os Direitos Humanos?”. Talvez o fato esteja em Direitos Humanos ser muito maior do que isso, talvez esteja no fato de que todos merecem ser respeitados ou talvez pelo fato de que respeitando uns aos outros, sendo garantido direitos como educação, saúde, cultura, lazer, esportes, alimentação, assistência social, ninguém precisará matar ninguém.

Outro fato que me deixou muito curioso foi como a esquerda do país consegue se abster de assuntos tão importantes. Onde estão os militantes do PSOL, PSTU, PCO, PC? Preferem se apequenar diante da injustiça que a mídia comete ao retratar um assunto tão importante? Sendo assim, viverão o resto da vida no discurso fazendo pouco para a construção de um país democrático/socialista que queremos.

Ainda tive que escutar a grande besteira de que o que o Plano é um grande pretexto para uma revolta militar. Claro, mídia, igreja e militares, já conhecemos isso. Mas me digam, se o Governo se omite em relação a esses fatos ele é “traidor do movimento”, se faz algo revolucionário e que coloca o dedo na ferida “corre o risco de uma ditadura”.

Tudo isso me cansa, assim como o velho discurso dos conservadores, dos ignorantes, da mídia decadente, dos políticos safados e de um povo que procura esquecer o próprio passado.

Pela legalização do aborto, pela união civil de pessoas do mesmo sexo, por um estado laico, por uma mídia sem interesses, por justiça aos oprimidos e por um país melhor – 3º Plano Nacional de Direitos Humanos.

Categories: Política

Das Festas

23 23UTC Dezembro 23UTC 2009 Publicar um comentário

O Natal nos traz profundas lições de esperança, iluminando de Amor, Paz e Alegria o ano que se inicia. Desejo a todos um 2010 repleto de realizações e grandes conquistas.
A vitória está em nossas mãos!
Boas Festas

Comentário: estou reproduzinho o email de um amigo que recebi hoje pela manhã. Apesar de que ainda não gosto do natal, mas esse solzinho é simpático né?!

Categories: Meu universozinho

Pamonha e Nostalgia

18 18UTC Dezembro 18UTC 2009 Publicar um comentário

Hoje comi um pedaço de pamonha.
É o gosto de uma das últimas lembranças que eu tenho do que significava “família’ para mim. Lembro-me da minha avó e suas irmãs descascando o milho, enquanto eu jogava bola na grama com meu vizinho.
A idade foi passando, as pessoas vão se afastando. E sei que aquele sentimento é só uma lembrança saudosista de um tempo que acreditávamos ser melhor. O tempo passou e a inocência se foi. Aquilo sempre aconteceu e sempre continuará acontecendo. A diferença é que só isso já não se sustenta.
Quando senti o cheiro da pamonha me lembrei de tudo isso, como se estivesse vivenciando aquilo novamente. Depois que comi me lembrei de que a única “família” que a pamonha sustenta, é do senhor que sai vendendo de porta em porta.

Categories: Meu universozinho

Estado violência

10 10UTC Dezembro 10UTC 2009 Publicar um comentário

Sinto no meu corpo
A dor que angustia
A lei ao meu redor
A lei que eu não queria…

Estado Violência
Estado Hipocrisia
A lei não é minha
A lei que eu não queria…

Meu corpo não é meu
Meu coração é teu
Atrás de portas frias
O homem está só…

Homem em silêncio
Homem na prisão
Homem no escuro
Futuro da nação
Homem em silêncio
Homem na prisão
Homem no escuro
Futuro da nação…

Estado Violência
Deixem-me querer
Estado Violência
Deixem-me pensar
Estado Violência
Deixem-me sentir
Estado Violência
Deixem-me em paz…

Estado Violência – Titãs – Cabeça Dinossauro

Comentário: Ontem, assistindo televisão, vi o comercial de um filme que eu ainda não assisti. Pasmem! Tropa de Elite.

Acho que sou um dos únicos imbecis que não assistiram ao filme. Talvez porque meu preconceito com o que vira moda, talvez porque a sociedade encarou o filme de uma maneira não esperada pelo diretor.

Em entrevista ao Roda Viva, o diretor José Padilha, disse que o filme era a tentativa de levantar a discussão em torno da violência que o estado exerce sobre as comunidades carentes. Bom, não sei se foi o que a população entendeu.

Muita gente, mas muita gente mesmo, diz que o BOPE está corretíssimo em invadir o morro e usar da força para ‘eliminar’ os traficantes.

Eu não culpo os policiais. São somente o instrumento do Estado. A violência não parte deles, mas de um Estado que não está preparado, ou se faz de burro, para combater tráfico e outras violências. Minha intenção também não é criar uma discussão a respeito das polícias , e sim da ineficiência do Estado. O despreparo de governantes que acaba influenciando uma postura agressiva de policiais. É claro que há muitos policiais que abusam do seu direito de autoridade e merecem ser punidos.

Voltando ao filme.

O comercial eu vi na TV Record, parece que vai passar hoje o filme. O interessante é que finalmente vejo a oportunidade do filme abrir a discussão sobre a violência excessiva. Ontem no Record News e hoje de manhã no Jornal da Record eu vi comentários a respeito da manifestação em Brasília que acabou, para variar, com o abuso de autoridade.

Foram cenas tristes de se ver. Cavalaria, cacetetes, spray de pimenta e ‘chumbo’ de borracha pra cima dos manifestantes.

A cena que mais chama a atenção é a de jovens deitados no chão, em sinal de que não queriam confusão, sendo pisoteados pela cavalaria.

Os apresentadores do jornal ficaram indignados. E isso mostra a importância da discussão a respeito do tema. A polícia alega que não houve força excessiva, o secretário de segurança desconversa e a sociedade mais uma vez paga.
O pior, é ver que a manifestação era sobre os crimes de corrupção cometidos pelos políticos do DF. A polícia combatendo a manifestação que pregava o fim da corrupção. É uma inversão total de valores, assim como o filme Tropa de Elite.

A polícia (leia-se Estado) combate os traficantes do morro para disfarçar.

Os traficantes não estão na manifestação. A polícia combate o morro e as manifestações para esconder o verdadeiro culpado, o político sujo que financia o tráfico.

No mais, só tenho a dizer que todos possam assistir ao filme com um olhar um pouco mais crítico.

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