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Chuvas: a enxurrada de São Paulo a Guaíra

1 01UTC Fevereiro 01UTC 2010 Publicar um comentário Go to comments

As fortes e constantes chuvas que castigam São Paulo desde o início do ano já resultaram na morte de, pelo menos, 64 pessoas. Os dados foram divulgados pela Defesa Civil do estado.

Mais de 18 mil pessoas foram afetadas pelos temporais, em 134 cidades do estado. E 27 municípios paulistas já se encontram em estado de emergência.

Na capital a situação não é diferente, a cidade enfrenta o janeiro mais chuvosos em oitenta anos e há mais de 50 dias moradores convivem com a invasão das águas em suas residências. Moradores da zona leste são os que mais sofrem com as enchentes. Na região, moradores são obrigados a conviver com a água invadindo as residências. Água que misturada ao lixo e esgoto torna o convívio quase insuportável, além da presença de animais como ratos e cobras que podem transmitir doenças que causam a morte.

O perigo de infecção por doenças transmitidas pela água contaminada é imediato.

Todos os casos suspeitos de leptospirose são de moradores com dor no corpo, febre alta e mal-estar. As primeiras suspeitas provocaram uma corrida em busca de atendimento e acesso a antibióticos para evitar a leptospirose.

Causas das enchentes e possíveis soluções

Fenômeno da natureza somados ao descaso pelo poder público agravam ainda mais uma situação que parece fora de controle.

Segundo o engenheiro Cerqueira Cesar, da escola Politécnica da USP, existem dois tipos de enchentes. A do rio Pinheiros e rio Tietê são de responsabilidade do governador do estado, e há também as de responsabilidade do prefeito, que são as enchentes referentes aos córregos que passam pela cidade.

Soluções apontadas por especialistas mostram que será um processo demorado, e que por muito tempo está sendo adiado, devido aos grandes custos e pouco viés político.

Dentre as soluções destacamos a ampliação das calhas de nossos principais rios; permanente desassoreamento de todos os rios, córregos e drenagens construídas; redução máxima do assoreamento das drenagens naturais e construídas por meio do rigoroso e extensivo combate à erosão do solo nas frentes de expansão metropolitana, assim como evitar o lançamento irregular de lixo urbano e entulho de construção civil.

Dados ainda apontam que era preciso a construção de 134 piscinões para regular a vazão dos rios, porém o governo do estado construiu apenas 43.

Para piorar a atual situação, a gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM) deixou de investir R$ 353 milhões em obras de combate a enchentes na cidade de São Paulo. De 2006 até hoje, a Prefeitura aplicou apenas 68% da verba prevista no orçamento para ações com esse fim, como canalização de córregos, serviços de drenagem e construção de piscinões, porém as despesas com propagandas têm previsão de aumento de 31% em 2010, que ao todo chegará a R$ 105 milhões para a divulgação de obras da capital.

Há poucos dias, na frente de Serra, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs um PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) de combate as enchentes no estado.

Na região

As cidades da nossa região também sofrem com as fortes chuvas de verão. Em Franca, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou 109,02 milímetros de chuva das 9h de terça (26) às 9h desta quarta-feira (27). Há 49 anos não chovia tanto em 24 horas na cidade.

O total acumulado em janeiro no município já chega a 407 milímetros. A média histórica do mês é de 302 milímetros.

Em Ribeirão Preto a situação se agrava, devido ao crescimento desenfreado da cidade que resultou na ocupação de área de várzeas, que do ponto de vista “geohidrográfico” é “parte do rio”, pela população e com o consentimento do poder público.

A situação é agravante no bairro Vila Virgínia em sua parte baixa, considerado uma área de altíssimo risco de enchente.

Para Ribeirão Preto as soluções vão desde a desocupação de áreas de risco de enchente, a criação de micro cisternas domiciliares e o uso de paralelepípedo ou sistemas de calçamento que possibilitem a melhor absorção da água no solo, para combater a impermeabilização do solo.

Em Guaíra

A chuva também não deu trégua em Guaíra. Devido ao grande volume de água que caiu no mês de janeiro a colheita da produção de grãos foi adiada por pelo menos uma semana. A previsão da colheita era por volta do dia vinte de janeiro, porém não comprometendo a produção.

“A colheita estava programada para essa semana [dia 20], mas como choveu muito teve que ser adiada. Ainda temos uma semana para colher, a partir disso podemos ter problemas e a colheita pode ficar comprometida” afirmou o Secretário de Agricultura e Meio Ambiente do município, Martins Oride.

Ainda segundo o secretário, sem dados muito precisos, a chuva do mês de janeiro pode ter chegado ao dobro da média. A produção da cana-de-açucar não sofre nenhum prejuízo, já que está no período de entre-safra.

Se no campo a situação pode se tornar agravante, no perímetro urbano a sensação não é outra. Por vezes nos deparamos com o grande volume de águas escoando por nossas calçadas, e em casos extremos, adentrando em residências e estabelecimentos do nosso comércio.

Apesar da situação de Guaíra ser privilegiada em relação a grandes centros urbanos, a necessidade de um plano para contenção de enchentes e a não ocupação de áreas de risco se faz necessária. Embora não tenhamos áreas de risco visivelmente claras, a cidade tende a crescer e o planejamento para a ocupação das áreas do município deve ser devidamente estudado pelos órgãos competentes, não podendo o poder público se fazer de omisso.

O grande problema da área central aparenta tomar um solução com a construção das galerias da Avenida 5, iniciada na gestão passada e finalizada pela atual gestão. O projeto original que vai desde a ponte até a Rua 24 ainda não foi concluído, mas já é notável o menor fluxo de água na área onde antes era intransitável.

Para que Guaíra possa crescer com a tranquilidade de uma cidade projetada é preciso dar continuidade a obras de contenção de enchentes, já iniciadas em 2005. O revestimento dos canais de escoamento de águas pluviais das avenidas José Cavenaghi e José Flores, a construção do canal de drenagem do bairro Etelvina Santana, a galeria de drenagem no duplicamento da Avenida José Quintino e o melhoramento do sistema de drenagem e escoamento das águas pluviais no acesso 3, já em 2010.

Esperamos que atual gestão, e a próxima que virá, tenha a sensibilidade de dar continuidade a esses projetos para não sofrermos no futuro.

Outro fator importante é o respeito ao meio-ambiente que pode se dar de diversas maneiras, como palestras em escolas, a distribuição de cestos de lixo seletivo dentro e fora das escolas do município, sobretudo em espaços públicos de grande circulação, como o Lago e as Praças. Com a re-educação de nossos hábitos e a contribuição do poder público, Guaíra se tornará um exemplo de respeito ao meio-ambiente.

moradores protestam e queimam móveis que perderam na enchente. P.M. foi chamada para conter a manifestação.

para finalizar, essa bela matéria do Chico Pinheiro em meio a podridão e descaso político nos Jardins dos pobres.

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