Adeus ao Steve Jobs?!*
O homem que roubou nossa subjetividade.
Depois da conferência do Ricardo Antunes – A nova morfologia do trabalho: infoproletariado, materialidade, imaterialidade e valor – e vendo todas matérias, na tv e internet, sobre como Steve Jobs era competente, um gênio, um amante de seu trabalho, um exemplo de pessoa bem sucedida, não consigo parar de pensar se há alguma relação.
A Apple é o exemplo claro de uma “filosofia” que finge uma parceria entre desenvolvedores e a própria empresa.
Enquanto Jobs pregava sua “filosofia oriental” num discurso de liberdade, os índices de suicídio dentro da Apple, principalmente na China, só aumentavam. Jobs era um gênio, mas autoritário e moralista.
O encanto da Tecnologia de Jobs nunca foi igualmente distribuido. O trabalho voluntário de longas horas para desenvolver aplicativos pra um iPhone, iPad etc, possui um contraste gritante com quem sofre com as formas de coerção e vigilância que aflingem os trabalhadores mais pobres, produzindo na montagem desses dispositivos revertidos para a elite Ocidental; e esses trabalhadores pobres permanecem anônimos ofuscados por tanta genialidade e comprometimento do queridinho do planeta.
Essa “tecnologia da libertação” que impulsionou a Apple só é boa se comparada com a tecnologia escravista da IBM. (1º comercial da Apple – com referências a 1984).
1984 nunca foi tão atual, Jobs. Jason Chen, que teve sua casa invadida a pedido da Apple, que nos lembra da melhor maneira. Se antes era 1984 agora é Revolução dos Bichos.
Uma grande maçã verde que sempre escondeu uma maça podre.
#ThankYouSteve
* Ricardo Antunes – adeus ao trabalho?
André Gorz por Henrique Amorim

